Racismo no cinema: Precisamos ir contra o sistema

Racismo no cinema

Os últimos anos têm nos mostrado o quanto a sociedade não consegue superar o racismo, como é o caso da violência policial contra negros, e a falta de representatividade em setores importantes da sociedade. Essas pautas são abordadas nas produções cinematográficas, mas ainda existem muitos problemas sobre representatividade que precisam ser repensados.

Vale lembrar que em 2016, o “Oscar So White”, escancarou a falta da presença de negros na premiação do Oscar. Porém, esse problema é muito maior do que só esperar que diretores e atores negros estejam presentes na premiação. A questão é estrutural e difícil de ser combatida.

Recentemente, o ator David Oyelowo, que atuou como Martin Luther king no filme Selma: Uma luta pela liberdade, disse que o filme foi boicotado no Oscar de 2015. Segundo David, o uso de camisas escrito “I can’t breathe”, desagradou alguns membros da academia. O momento citado envolve uma manifestação contra a morte de um jovem negro pela polícia de Nova Iorque em 2014. Por vezes acreditamos que a luta contra o racismo ganhou o espaço que precisa, mas na realidade ainda existe um temor em aceitar mudanças significativas contra o racismo no cinema.

David Oyelowo no filme Selma: Uma luta pela liberdade. Fonte: Profácio

Spike Lee (Infiltrado na Klan e Malcom X), Jordan Peele (Corra!), Ryan Coogle (Pantera negra), Ava DuVernay (Selma e Olhos que condenam) e Barry Jenkins (Moonlight), são cineastas negros que estão entre os que têm maior destaque de bilheteria atualmente. Esses não são os únicos que buscam usar do espaço conquistado para discutir sobre a questão racial na sociedade. Contudo, a construção de um discurso antirracista no cinema envolve a capacidade de atrair investidores dispostos a incluir a pauta no mercado. Além disso, deve-se considerar os riscos que é confrontar o sistema que tenta mascarar o racismo.

No Brasil não é diferente

Sem precisar ir muito longe, aqui no Brasil os problemas raciais no cinema envolvem até mesmo a forma como as pessoas negras consomem cinema. O cineasta Eduardo Carvalho (Eu, minha mãe e Wallace e Chico), explica que muitas pessoas não tem acesso facilitado aos bens culturais, e infelizmente boa parte dessas pessoas são pobres e negras. Além do mais, o cineasta acrescenta que existe falta de representatividade nas histórias produzidas, o que mostra o abismo que separa a maioria da população brasileira das produções cinematográficas.

Temos cineastas como Eduardo Carvalho, Joel Zito Araújo (A negação do Brasil) e Sabrina Fidalgo (Rainha), que buscam introduzir as questões envolvendo os problemas raciais no Brasil. Recentemente, Bacurau ganhou espaço nas grandes salas de cinema e levantou questões sobre o racismo que ganharam as redes sociais. Mas o cinema brasileiro ainda tem dificuldades em tratar o tema.

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